Primeiro de Maio com atos virtuais e sem manifestações públicas de Centrais e Sindicatos

Presidente do SETH e do MSU,Sergio Paranhos, concede entrevista ao Jornal Gazeta Rio Preto

Brasil e Mundo - 1/5/2020 11:45:14 » Por
Atualizado em 5/1/202012:40h

 

 

A data nasceu no século 19, em Paris, na França, em 1889, para marcar manifestações nos Estados Unidos em 1886 em que houve repressão policial, prisões, violência e mortes

Depois de muitos anos, Rio Preto vive um Primeiro de Maio sem qualquer discussão política ou festa entre os Trabalhadores. O principal motivo são os decretos municipal e estadual que estabeleceram o isolamento social e proibiram aglomerações e manifestações. A Central Única dos Trabalhadores, CUT, o Movimento Sindical Unificado e a União Geral dos Trabalhadores, UGT, nos últimos13 anos, muitas vezes juntos e outras separadamente, realizaram shows e discussões sobre as condições dos trabalhadores de Rio Preto e região.

Este ano, no entanto, nem as grandes centrais sindicas baseadas na capital paulistas farão atos de rua. O único e mais importante evento programado é uma live suprapartidária com a participação dos ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso além dos ex-ministros Marina Silva e Ciro Gomes. Ela começa às 11h30 com previsão de se estender até as 15h.

O cantor inglês Roger Waters participa com uma gravação. Ele canta a música We Shall Overcome. Um dos símbolos da luta dos trabalhadores negros americanos nas décadas de 50 e 60 do século passado. O evento é organizado pelas Centrais CSB, UGT, Nova Central, CUT, Força Sindical, CGTB e Central Pública.

 

Sérgio Paranhos, do MSU, diz que trabalhadores pagam a conta

O presidente do MSU em Rio Preto, sindicalista Sérgio Paranhos, diz que infelizmente este ano o Movimento “não estará fazendo nenhum evento público referente ao dia 1º de Maio”. Afirma que “nos últimos anos os trabalhadores têm sofrido um grande golpe, primeiro foi a reforma trabalhista, depois a reforma da Previdência, não bastasse isso, no momento em que o movimento sindical começava a se reorganizar, vem um ser invisível, o coronavírus, e os trabalhadores mais uma vez pagarão a conta”.

Afirma, no entanto, que mesmo com a pandemia “os sindicatos aumentam ainda mais suas responsabilidades” para dar “assistência aos trabalhadores para que não sejam ainda mais usurpados dos seus direitos”. “Estamos trabalhando mesmo que seja por telefone, Watsapp, e-mail e disponibilizando nos sites e páginas sociais as informações para que os trabalhadores tenham um norte a seguir”

“Chegará o momento de retomarmos as atividades normais e aí temos certeza que teremos muitos casos para resolver”, afirma. Hoje, mesmo no dia do Trabalho, é importante que eles “tomem cuidado e preservem a vida, os prejuízos financeiros nós iremos buscar lá na frente, mas não deixem de denunciar aos sindicatos se houver algum abuso”. Informa ainda que “na medida do possível os sindicatos têm realizados termos aditivos e emergenciais garantindo os empregos de quem está na ativa”.

Sindicato dos Empregados no Comércio vai sortear 150 cestas básicas às 10h00min

Embora o Movimento Sindical Unido, MSU, não vai realizar nenhuma atividade nesse dia do Trabalho, a vereadora Márcia Caldas, secretária do movimento e presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, Sincomerciários, disse que, a partir das 10h, vai realizar um sorteio online de 150 cestas básicas para os trabalhadores. Ela lembra que "pela primeira vez durante vários anos” o MSU “não irá realizar a comemoração do dia do trabalhador seguindo todas as regras de isolamento social devido a pandemia”.

Ela afirma, no entanto, que “a importância  dos trabalhadores para manter o mundo em movimento” porque “sem a força do trabalho não há desenvolvimento”. Os trabalhadores não devem “esquecer as lutas e conquistas no mundo do trabalho, principalmente neste momento de desemprego e dificuldade mundial”. Diz que os trabalhadores farão “reflexões neste momento difícil em nossas vidas, na saúde e na política”.

Porque hoje é o dia do Trabalho

A data foi criada em 1889, na França. Marca as manifestações dos trabalhadores norte-americanos em Chicago, no ano de 1886. O mundo vivia a primeira Revolução Industrial. Eles pediam melhores condições de trabalho. Naquele período, trabalhadores chegavam a fazer turnos de 16 horas, com salários irrisórios e locais inadequados, sem nenhum direito trabalhista. Em 1886 as manifestações provocaram prisões, muita violência empregada pela polícia e consequentemente mortes. O movimento se espalhou pelo mundo industrializado. Por isso, a data nasceu em Paris.

Por Rubens Celso Cri em 01/05/2020 - 09h30min

Confira a reportagem no Gazeta Rio Preto: https://www.gazetaderiopreto.com.br/nacional/noticia/2020/05/primeiro-de-maio-com-atos-virtuais-e-sem-manifestacoes-publicas-de-centrais-e-sindicatos.html?fbclid=IwAR3yAgZPtsua9qc8CxaDbgAxbdfmBr-QpSbF9fZAUnsWcd13WdUh5E1EVA0