
O Sindicato SETH, em parceria com a FEMACO, realizou nesta sexta-feira (26/06) o seminário “Não é drama, é norma – NR1: A saúde mental importa”, reunindo representantes de empresas, profissionais de Recursos Humanos, técnicos de segurança do trabalho e lideranças sindicais para discutir as mudanças da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho e Emprego, que entraram plenamente em vigor em 25 de maio de 2026. A atualização passou a exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como pressão excessiva, assédio, metas abusivas e outros fatores que podem afetar a saúde mental, no gerenciamento de riscos ocupacionais.
Na abertura, o presidente do SETH, Sergio Paranhos, destacou a importância da aproximação entre sindicatos e empresas para enfrentar os novos desafios das relações de trabalho. “O sindicato não é inimigo das empresas. Pelo contrário, o sindicato quer estar junto com as empresas para garantir emprego e empregabilidade para os trabalhadores”, afirmou. O encontro também contou com a presença de Roberto Leme, coordenador do Grupo de Ação Sindical (GAS) da FEMACO, representando a federação, que vem promovendo debates sobre a nova realidade da saúde mental no ambiente de trabalho em todo o Estado de São Paulo.
A psicóloga Daniela Sousa, especialista em Gestão de RH, abordou a aplicação prática da NR-1 e o crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental. Para ela, a atualização da norma não surgiu de forma aleatória, mas como resposta a uma realidade já existente. “A norma não cria um problema, ela simplesmente está respondendo a uma realidade que já existe”, afirmou. Daniela frisou ainda que a implementação deve começar pela escuta dos trabalhadores, compreendendo as diferentes realidades de cada função e ambiente profissional.
A advogada Glédis Lúcio falou sobre as responsabilidades legais das empresas e os impactos jurídicos do descumprimento da NR-1, enfatizando que prevenção e documentação são fundamentais para demonstrar as medidas adotadas pelas organizações. “Quando a empresa coloca o risco, identifica e mostra qual medida de controle foi aplicada, ela demonstra que está fazendo gestão. É melhor reconhecer o risco e tratar do que tentar esconder”, explicou. Glédis também alertou que o descumprimento da norma pode gerar ações trabalhistas, indenizações, reconhecimento de doenças ocupacionais, fiscalizações do Ministério do Trabalho, ações civis públicas pelo Ministério Público do Trabalho e ações coletivas promovidas pelos sindicatos.
Ao final do evento, a jornalista e comunicóloga Renata Ketendjian apresentou o painel “Desvendando as Bets: Informar para proteger”, expondo os impactos das apostas online na vida dos trabalhadores e como o avanço das plataformas de apostas criou um novo desafio social, capaz de afetar a saúde financeira, emocional e as relações familiares. “A empresa não deve tratar o trabalhador com problema de jogo como alguém sem caráter. É preciso identificar sinais, oferecer acolhimento, encaminhar para ajuda e levar informação de forma preventiva”, disse.
Ao relacionar o tema à NR-1, Renata explicou que, embora as bets não sejam um risco ocupacional originado diretamente no ambiente de trabalho, seus efeitos psicossociais podem impactar o trabalhador e, consequentemente, o ambiente profissional, reforçando a importância da prevenção, informação e conscientização.





















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